Tuesday, November 20, 2007

Contratempos


O meu dia de anos acabou dentro de um C3, apertadinha entre duas pessoas que adoro, com um bolo de chocolate ao colo e com mais duas pessoas (também porreiras) a cantarem "Os parabéns"! ;)

Lá apaguei as velinhas mas...aviso-vos já: quando forem a um restaurante perguntem logo se podem comer bolo de anos trazido de casa. Caso contrário habilitam-se a ir comer o bolo com as mãozinhas e dentro do carro!

Apesar do dilúvio, do trânsito e do humor deprimido que acumulei à medida que surgiam os contratempos, não foi mau de todo! Obrigado a todos pela amizade e pelos mimos!

Sunday, November 18, 2007

A propósito de aniversários...

Já lá vai o tempo em que fazer anos era motivo de ansiedade. Lembro-me de ser miúda e contar religiosamente os dias que faltavam para fazer anos. E na noite que antecedia o tão esperado dia, o sono teimava em não aparecer, não cedendo a um nervosismo palerma, como se algo de importante se fosse passar no dia seguinte.

Não, não eram as prendas que me tiravam o sono. Era sim a certeza de que no dia seguinte muitas, se não todas, as pessoas de quem gosto me dispensariam uns minutos de atenção.

E deixemo-nos de hipocrisias, quem não gosta de ser alvo de uns minutos de atenção? Aliás, nem são minutos de atenção, é mesmo mimo! Muito mimo. Mimo esse que pode surgir sob a forma de um beijo, um telefonema, uma mensagem, seja o que fôr. É sempre bom saber que os nossos amigos, a nossa família e até os que não uma coisa nem outra, se lembram de nós nem que seja por fazermos anos.

Só que agora, para dizer a verdade, fazer anos não desperta em mim qualquer ansiedade. Pelo contrário, este dia outrora tão especial é apenas o início de mais um ano de vida, que encaro com muita tranquilidade. Tanta tranquilidade que até irrita...

Mas é mesmo assim...os anos passam e obrigam-nos a crescer. A ter responsabilidades e a pensar no futuro. E, meu Deus, como o ano que se aproxima será determinante! Quase me apetece fazer menos 10 anos!

E aproveitando o facto de estar quaaaaase a fazer anos, aqui deixo a minha lista de prendas. Podem comprar de tudo e em grande quantidade:

1. Mimos
2. Mimos
3. Mimos
4. Mimos
5. Mimos
6. Mimos
7. E mais mimos...




Thursday, November 15, 2007

Querida R. : DESCULPA-ME!

Mais uma vez te peço desculpa, mesmo sabendo que não tenho desculpa possível. Não há direito de me esquecer do aniversário de uma das minhas melhores amigas, se não a melhor. E o pior é que só me lembrei dias depois, quando o enfermeiro Resende (que é um simpático!) me disse que muita gente fazia anos em Novembro. Ao que eu respondi: "É verdade! Até tenho uma amiga enfermeira que faz anos agora!". Faz não. Já fez e há um tempão! Como já te disse, estou furiosa comigo mesma.

Então, achei que merecias uma homenagem, que não cabia num vulgar sms.

Por isso, querida R., aproveito este espaço para te dizer que és uma amiga única. Não importa quanto tempo estou sem te ver, não importa quantas mensagens me mandas, não importa a quantidade de cafés e pequenos-almoços hospitalares que adiamos constantemente. O que importa é que estarei sempre aqui para ti. E sempre que nos encontrarmos teremos conversas para pôr em dia, sorrisos para trocar, piadas para contar e gargalhadas cúmplices para partilhar.

O que nos une são anos de uma amizade, que nada vai estragar! Excepto, talvez, a minha cabeça desmiolada que se esqueceu do teu aniversário... Se neste momento estiveres zangada comigo, tens toda a razão! Mas, por favor, "deszanga-te" depressa!

Em tempos escreveste-me uma frase que jamais vou esquecer. Espero que não te importes que a partilhe aqui, uma vez que é tão bonita e define tão bem o que é a amizade. Então é assim:

"Que importa se rimos ou choramos, que importa se amamos ou sofremos?...Desde que continuemos uma ao lado da outra, vamos conseguir vencer o mundo!"

Não sei se vamos conseguir vencer o mundo, pois parece que este não é bem aquilo que pensamos dele quando temos 16 anos... Mas uma coisa é certa: continuo a estar ao teu lado, aconteça o que acontecer.

Obrigado R., por tudo, sobretudo por existires!

Wednesday, November 14, 2007

Ver com o coração



Hoje apeteceu-me ler um livro que me é muito especial: O Principezinho. Infelizmente não o tenho aqui comigo.

Já o li não sei quantas vezes e sempre que o leio descubro mais qualquer coisa.

Lembrei-me do segredo da raposa. Adoro essa passagem. Por isso, para matar saudades, aqui deixo o segredo da raposa:

"É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos."

É fantástico como tantos anos depois continua a ser assim...


Actualizando este tão desactualizado blog!

Ora bem...tanta coisa aconteceu desde o meu último post!

Um estágio começou e acabou. Pelo meio conheci muita gente simpática, com quem aprendi muito em todas as áreas. Vi muitos doentes simpáticos e outros menos simpáticos mas todos eles me ensinaram alguma coisa. E isso foi muito enriquecedor. Sinto que nestes dois meses mudei muito. Estou mais independente, mais confiante e sobretudo mais tranquila. Durante este tempo tenho vivido numa espécie de mundo só meu, onde tudo correu bem (apesar dos meus medos!) e onde tenho sido muito feliz! Todos os dias tenho chegado a casa com a sensação de dever cumprido. Como se...tivesse ajudado alguém! E, para ser sincera, acho que todos os dias o tenho feito, quanto mais não seja por me sentar à beira da cama e simplesmente ouvir.

No entanto, enquanto habitei esse mundo só meu, não tive absolutamente NENHUMA vontade de escrever, fosse o que fosse. Foi por essa razão que não escrevi mesmo nada.

E agora, após esta reflexão pessoal tão profunda e filosófica, toca a dinamizar este blog que tem estado parado no tempo. Por minha culpa, claro!

Friday, September 7, 2007

Tiras de papel que decidem coisas

Tiras de papel com nomes, datas e sei lá que mais. Juntá-las, tirar uma ou mais e já está. Em escassos minutos tudo fica desta forma resolvido.

Por si só, a palavra sorteio desassossega-me. Transmite logo a ideia de que não há outra forma de chegar a determinada conclusão. A situação piora bastante quando os sorteados não estão presentes, tão pouco têm direito a ser ouvidos e contestar a decisão final é impensável e totalmente infrutífero. Apesar de tudo, sorteia-se...

Ora eu que nunca tive muito boa sorte nos sorteios (isto para não dizer azar), não costumo sair-me muito bem nessa área. Invariavelmente a história repete-se.

O próprio conceito de sorteio implica que a sorte de uns determine o azar de outros. Aparentemente resta-me esperar por uma nova era da minha vida em que o factor determinante não sejam os sorteios mas sim o esforço e dedicação com que fazemos as coisas.

Sunday, September 2, 2007

Para quem tem medo


Quando era miúda tinha medo do escuro. Um medo incompreensível, não relacionável com nenhum acontecimento específico e que me fazia temer a hora de dormir. Tudo servia como pretexto para adiar essa maldita hora.

Assim sendo, os meus pobres pais (sobretudo a minha mãe, pois os pais não têm muita paciência para estas mariquices) viram-se obrigados a desenvolver mecanismos de coping. A minha mãe começou por me fazer companhia. Sentava-se ao lado da minha cama numa cadeirinha de madeira vermelha com flores pintadas, tipicamente alentejana, esperando pacientemente que eu adormecesse. E eu lá me fui sentindo cada vez mais segura: que diabo!, a minha mãe estava ali para me defender, fosse lá do que fosse... A pouco e pouco vi aumentar a distância entre a minha cama e a cadeirinha, até que a cadeirinha passou para o lado de fora do quarto.

"Eu ainda aqui estou" - dizia a minha mãe para me tranquilizar. E eu confiava. Era verdade. Ela estava ali.

Entretanto eu cresci. E pouco antes de entrar para a escola primária alguém me ofereceu um boneco amoroso e muito especial. Vestia um fatinho bonito em tons de verde e azul claro com estrelinhas amarelas, bem como um gorro comprido a condizer. Tinha uma cara simpática e sorria para mim. Mas o que era realmente especial era a sua capacidade de iluminação. Eu só tinha de o apertar contra mim e ele acendia-se imediatamente. Lembro-me como se fosse hoje de tapar a cabeça com o lençol, apertar o boneco contra mim e...eis que o medo desaparecia!

Hoje em dia tenho outros medos. Tenho medo das responsabilidades, ou melhor, de não estar devidamente preparada para elas. Tenho medo do futuro e de errar em relação às escolhas que o determinam. Tenho medo de não estar à altura do que as pessoas que amo esperam de mim. Tenho medo de pessoas más e tenho medo que estas me façam mal. Tenho medo de não ser feliz e de não fazer os outros felizes.

Crescer é, sem dúvida, um processo muito duro. Os nossos pais deixam de poder estar sentados à nossa cabeceira (pelo menos não literalmente) e deixam de poder guiar os nossos passos. E aí começa para qualquer jovem um verdadeiro desafio: tornar-se adulto. Ser adulto é pensar, fazer escolhas, decidir e, como se tudo isto não bastasse, arcar com as consequências, boas ou más, das ditas escolhas. Mas ser adulto é também errar e seguir em frente, sem desanimar e aprendendo sempre com cada erro. É claro que há adultos que são tudo menos isto, pois para ser adulto basta ter idade para tal.

No meio de tudo isto uma coisa é certa: se há pessoas que nos tocam pela sua maldade, também há pessoas que nos tocam pela sua bondade, amizade, dedicação e amor. Essas pessoas merecem que eu arranje força para vencer os meus medos.

Sim... porque para os medos que eu tenho, não há boneco luminoso que aguente tanto aperto! Mas se houver, por favor avisem-me. Eu compro...